O livro do travesseiro
O livro mais antigo do Japão
SEI SHONAGON
O livro do travesseiro é uma das obras mais representativas da literatura japonesa, juntamente com o livro Genji Monogatari da escritora Murasaki Shikibu, são datados do mesmo período.
O livro do travesseiro foi redigido entre 994 e 1001 pela dama de companhia Sei shonagon enquanto servia a consorte Imperial Teishi, na corte do Imperador Ichijô, o livro se trata de relatos da vida cotidiana na corte Japonesa, no período Heian (794 a 1192) na atual kyoto.
A obra descreve o cotidiano da ala feminina na corte, o relacionamento entre os nobres, seus costumes, emoções, festividades, fala também sobre as estações do ano, flores e montanhas, etiqueta e vestimentas usadas no período, tudo com muita sutileza e poesia, são 300 páginas com textos relativamente curtos alguns ocupam duas páginas, outros uma única linha.
Ela teria começado a escrever sobre
seus dias na corte após a Imperatriz receber algumas folhas de presente do Imperdor e sem
saber o que fazer com elas pergunta a Sei Shonagon o que escrever ali e ela propõem
a ideia de escrever um “travesseiro”, não existe um consenso entre os
pesquisadores sobre a origem desse nome, existem várias teorias, a primeira
delas diz respeito a palavra makura kotoba “palavra makura”, ou utamakura “travesseiro de poema”, as
duas palavras se referem a composição de poesia, que é diferente do significado
atual, “livro de cabeceira”, pois a leitura das damas na corte era uma atividade
conjunta, diurna, publica e aliada à apreciação e crítica da
caligrafia e outras artes.
SOBRE A AUTORA
Quem foi Sei Shonagon, não há muito registros sobre sua vida, por exemplo sua data de nascimento é incerta calcula-se que tenha nascido no ano 966 , não há registros do seu nome de nascimento, assim como não há registro do nome de sua mãe, o que era comum na época, pois mulheres não tinham seus nomes em documentos de nascimento, Sei Shonagon foi o nome dado a ela ao ingressar na corte.
Sei 清 primeiro ideograma do seu sobrenome, que era Kiyohara 清原 que também se lê Kiyo, e Shônagon少納言 que significa Baixo- Conselheiro, cargo ocupado pelo seu pai ou por um de seus maridos. Sei Shônagon se casou pela primeira vez aos 16 anos se separou um ano depois e teve um filho e se casou novamente aos 26 anos e desse relacionamento teve uma filha que se tornaria uma poetisa de certo destaque em seu período.
Ela descendia de uma família de poetas, seu pai e seu avó paterno foram escritores de grande destaque na corte, pode-se afirmar que Sei Shonagon recebeu orientações literárias desde a mais tenra idade. Sua boa educação e conhecimento facilitaram com que ela fosse nomeada dama de companhia da Imperatriz Teishi, cargo do qual ela tanto almejava.
Após a morte da Imperatriz no ano 1000 ela foi desliga da corte e não se sabe o seu paradeiro, há teorias de que ela tenha ido para um templo budista onde viveu até o final dos seus dias.
Após o período Heian chegar ao fim, vários séculos de guerras internas interromperam a produção literária feminina, que só voltou a existir no final do século XIX.
Assim, a obra original de Sei Shônagon não sobreviveu ao nossos dias, mas a leitura do livro do travesseiro é possível pela existência de quatro cópias conhecidas, entre elas é possível notar algumas diferenças.
Sobre o livro.
As copias
são Maedakebon, Sakaibon, Sankanbon e Nôinbon, o exemplar Maedakebon, assim chamado por pertencer a familia Maeda, é
considerada a cópia mais antiga que remonta do período Kamakura 1192-1333,
composta por quatro volumes que encontrasse atualmente na biblioteca Sonkyôkaku em
Toquio.
A cópia Sakaibon, de dois volumes segundo consta uma copia completa se encontra no acervo do pesquisador Takano Tatsuyuki e uma outra na biblioteca da Universidade de Taihoku.
A cópia Sankaibon, nesse exemplar, cujo significado é "três volumes" existem algumas diferenças em seus textos,o primeiro exemplar faltam - lhe os 75 textos iniciais, um segundo tipo do mesmo sankaibon encontra-se completo quanto ao texto, mas nota-se a interferencia do copista nos textos, esses exemplares estão na cidade de Kyoto.
E uma ultima cópia chamada-se Nôinbon, por ter sido encontrada no acervo do renomado poeta e monge Nôin, apesar da dificuldade de se encontrar uma copia confíavel, essa é a que mais merece atenção, pelo fato de ter sido encontrada nesse nesse acervo, hoje ela se enconta na Universidade Gakushûin, em Tokyo.
O Livro do Travesseiro também traz informações sobre os cargos existem na corte, um calendario do período Heian que era diferente do usado atualmente e muitas outras curiosidades, vale muito a pena ler.


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