Ânsia Eterna
livro de contos
Julia Lopes de Almeida
| Edição em que eu li |
Vim aqui para falar sobre Julia Lopes de Almeida e o seu livro de contos Ânsia Eterna.Vou começar falando um pouco sobre a escritora Julia Lopees de Almeida que teve um papel muito importante no ambiente literário em sua época e que desapareceu do meio literário brasileiro, suas obras foram esquecidas por décadas, mas ultimamente vem sendo redescoberta e eu vim aqui fazer minha parte, pois o Brasil perde muito em não conhecer Julia.
| Julia Lopes de Almeida |
Ela nasceu em 24 de setembro de 1862, no Rio de Janeiro, e faleceu em 30 de maio de 1934, filha de um médico e de uma professora, ambos vindo de Portugal para se estabelecer no Brasil, ela cresceu em uma família com grande interesse pelas artes, cultura e política da época, seus pais foram os fundadores do Colégio Anchieta, no Rio de Janeiro, e que algum tempo depois foi vendido para os Jesuitas e que existe até hoje.
Julia quando era criança se muda com os pais para Campinas e por incentivo do pai, publica seu primeiro artigo na Gazeta de Campinas, aos 19 anos, a partir dai não parou mais de escrever, escreveu para um importantte jornal carioca, chamado O país, durante trinta anos, além de escrever para jornais fora do Brasil, é uma mulher que ganha seu sustento através da sua escrita, uma coisa impensável para a época, hoje em dia escritores encontram dificuldades para viver de suas obras, imagine naquela época, a dificuldade que era ainda maior sendo mulher, em um período onde as mulheres não tinha nem o direito ao estudo.
Ela foi casada com um poeta chamado Filinto de Almeida em 1887, tiveram seis filhos, mas isso nunca impediu que ela escrevesse, com certeza o fato de ser de uma familia com recursos financeiros ajudava muito, mas além disso ela também tinha talento para escrita, pois sem isso não teria escrito durante tanto tempo, e publicado tanta coisa.
Ela é reconhecida como uma das primeiras escritoras feministas do Brasil e teve uma carreira literária muito extensa escreveu, romances, contos, crônicas, livros infantis e peças de teatro, onde ela abordava variados temas desde a condição feminina até questões sociais e políticas e apesar de tudo isso, de ter sido essa mulher incrível e talentosa, muito pouco se tem estudos sobre ela, é muito difícil ter acesso sobre estudos dedicados a ela no meio universitário, ela era amiga pessoal de Olavo Bilac e contemporânea de Machado de Assis, alias ela foi uma das que colaboraram para a formação Academia Brasileira de Letras, mas dizem as más línguas que Machado de Assis não aceitou Julia como membro da ordem, pelo simples fato de ser mulher, porque na Academia Francesa de Letras, que era o formato escolhido para a Academia Brasileira, não haviam mulheres, e por isso Julia não teve a sua cadeira na academia.
Só em 1977, Rachel de
Queiroz foi eleita a primeira mulher na Academia Brasileira de Letras, por
algum motivo Machado e Olavo Bilac tiveram sua glória até os dias atuais e Julia entrou para o esquecimento, uma escritora tão incrível quanto Machado de
assis, nós leitores é quem perdemos por não conhecer uma escritora tão incrível como
ela.
É muito diferente de tudo que já li de autora, aqui ela mostra um outro lado da autora, o livro foi publicado em 1903, são 30 contos na minha opinião todos eles muito impactantes, são contos pesados, com finais inesperados, se prepare para sentir um certo desconforto, ela fala de realidades, como: abuso, pobreza, fome, morte em todos os contos, a realidade do que acontecia na época, nua e crua.
A Julia contista é muito diferente da Julia dos livros de romance, aqui ela fala o que realmente ela queria dizer, os temas principais são a desigualdade, a condição da mulher na sociedade, na maioria dos livros que ela escreveu esse tema é abordado, mas de forma sutil, talvez porque as pessoas daquela época não estavam preparadas para ler sobre esse assunto e de forma tão dura como ela descreve no contos.
Indico fortemente a leitura dos contos e espero que você goste tanto quanto eu gostei, e até o proximo.
Julia Lopes de Almeida e Filinto de Almeida
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