quinta-feira, 12 de setembro de 2024

A MÃE DA SUA MÃE DA SUA MÃE E SUAS FILHAS / MARIA JOSÉ SILVEIRA

 

A mãe da sua mãe e suas filhas

Maria José Silveira




 É uma obra da escritora brasileira Maria José Silveira nascida no dia 17 de julho de 1947, em Jaraguá, Goiás.

A obra entrelaça a história de várias gerações de mulheres de uma mesma família, cobrindo quase cinco séculos de história do Brasil. A narrativa mistura ficção e realidade ao explorar a trajetória dessas mulheres desde o período colonial até os tempos modernos.

O livro começa com o nascimento da uma índia tupinambá, chamada Inaiá e a chegada das primeiras Naus Portuguesas em terras brasileiras, em 1500.

A partir do nascimento de Inaiá o livro conta a interação entre a tribo de Inaiá e os portugueses, e todos os acontecimentos a partir desse episódio, intercalando acontecimentos históricos que de fato aconteceram no Brasil, como a guerra entre Portugueses e Holandeses, no sec. XVII, o comércio de escravos, as grandes plantações de cana de açúcar, primeira e segunda guerra mundial, até a construção de Brasília.

Cada mulher passa por um período da história de forma desafiadora, que vão além dos desafios de enfrentar o desmatamento de uma região para criar um vilarejo para sua própria família, a luta para continuar sendo dona das próprias terras após a morte do marido, o aprisionamento e castigo da mulher pelo fato dela pedir o divórcio, também precisam enfrentar preconceitos, desconfianças e a solidão, cada uma enfrentando seus próprios desafios e seguindo em frente.

O livro fala de períodos como independência do Brasil, surgimento da fotografia, do rádio, semana da arte moderna, ditatura militar, tudo muito dinâmico que prende o leitor do começo ao fim.

São abordados temas como resiliência, maternidade, identidade e memória, a obra busca resgatar o protagonismo das mulheres na formação da sociedade brasileira. Cada capítulo foca em uma dessas mulheres, mostrando como suas vidas individuais se conectam em uma linhagem de força, resiliência e sabedoria.

 A obra termina no ano 2000 abordando os desafios e questões enfrentadas pela última geração de mulheres da família retratada no livro. É o ponto de encontro entre o passado e o presente, encerrando a narrativa ao destacar a continuidade da herança e dos valores transmitidos ao longo dos séculos.

O livro também mostra a importância das mulheres na construção da história do Brasil, todas elas contribuindo para o crescimento do país.   

A autora mescla as histórias dessas mulheres com os acontecimentos sem perder o ritimo da narrativa e tudo muito bem contado, com um narrador unipresente que vai nos fornecendo mais informações a cada capítulo.

 Um livro fascinante para quem tem curiosidade e é apaixonado por romances históricos.

 

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

A LUTA/ CARMEM DOLORES

 A LUTA

CARMEM DOLORES



Carmem Dolores nascida em São Paulo, no dia 11 de março 1852, e faleceu 16 de agosto de 1910,  é mais uma grande escritora do nosso país e que ninguém mais houve falar, vamos começar falando sobre quem é ela. 

Carmem Dolores, na verdade esse era o seu pseudônimo, seu nomes mesmo era Emília Moncorvo de Melo, ela escreveu crônicas, romances, contos e  e publicava continuamente artigos pra jornais do Rio de janeiro, mas apesar de tudo isso ela não é estudada nas escolas e não tem grande divulgação dos seus trabalhos, e muita gente nunca ouviu falar dela, porque isso acontece?

 A história no mundo todo ela é contada por alguém, e esse alguém na grande maioria do mundo sempre foi contada por homens, pelo motivo que acho que nós todos já sabemos, que é o fato das mulheres serem privadas de irem as escolas, faculdades, privadas de participar reuniões, até andarem sozinhas nas ruas, privadas de várias coisas importantes durante séculos, e no meio literário não foi diferente, a história da literatura, os críticos literários sempre foram homens isso faz com que eles tivessem olhos apenas para a produção masculina e com isso as escritoras foram deixadas de lado e foram tendo suas obras esquecidas. 

Temos a imagem de que mulheres não produziam, sim elas produziam e produziam muito, mas com muito mais dificuldades e mesmo as que produziram muito em vida foram deixadas para traz por vários motivos,  mas que graças a vários pesquisadores que estão se debruçando sobre essas mulheres recolhendo documentos e informações, algumas não tem quase nada de informações, estão recuperando essas obras e trazem essas mulheres novamente aos holofotes e  mostrando a importância dessas autoras brasileiras e a importância de cada obra.

 

Carmem Dolores se casa com aos 15 anos com Jeronymo Bandeira de Melo, ele se formou na faculdade de direito e exerceu vários cargos importantes e a família tinha uma vida abastada, com empregados e viagens, mas após a morte do marido Carmem, aos 34 anos e com 6 filhos sobre algumas perdas financeiras e o principal responsável por essa perda vem do banco do Brasil, existe uma crônica escrita por ela que fala sobre essa perda.

“Em esfera superior, não se tratando do depósito de pequenas quantias, mas sim de grandes capitais, o Banco da Repubblica do brasil fez perfeitamente o mesmo – posso dize-lo de cadeira, eu, que lá deixei parte de minha fortuna – e ei-lo, contudo, sob em nome levemente alterado, representando agora um banco forte e servindo de estio aos banquinhos, sem que, aliás me tenha pago o que me tirou. Fez um rateio amável, após seis longo ano de silencio sem um dividendo, entregou uma migalha a cada acionista e pronto! Abriu novo voo para as esferas atuais de grande importância e grande capital...Ora! Aí temos como se fazem os bancos fortes. O do Brasil tem hoje em fundo prospero de fazer medo: eu,eu...estou aqui escrevendo estas verdades inúteis e um tanto ridículas...”

 

A fim de sustentar a família ela começa a escrever crônica, criticas literárias e outros artigos no jornal O paiz, com o pseudônimo de Júlio de Castro, para uma coluna em francês ela escrevia como Celia Marcia, sob o pseudônimo Leonel Sampaio ela escreveu também para os jornais do Maranhão, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro e também escreveu como Mario Villar ela escreveu dois contos curtos, mas o pseudônimo mais conhecido foi Carmem Dolores.

 Entre os tópicos defendidas por Carmem Dolores estava a reforma educacional, o acesso a educação mais ampla para as mulheres, não apenas para ser tornarem esposas e mães, mas também para se tornarem independentes de seus maridos, também defendia a ideia de salários igualitários entre homens e mulheres, ela também tenta desmistificar a maternidade, fala sobre o direito ao divórcio, e pregava a separação entre igreja e estado e o casamento civil.

Carmem Dolores escreve sua última coluna no jornal o pai, dois dias antes de sua morte, algumas pessoas dizem que ela morreu de exaustão, devido a sua grande produção literaruia. 

Ela e Julia Lopes de almeida eram amigas e após seu falecimento Julia escreve uma crônica dedicada a Carmem Dolores.

 Suas obras foram bem recebidas em seu tempo e recebeu muitas críticas positivas e também negativas principalmente por parte de igreja. Frei Pedro Sinzig, na obra Através do romances, afirma que o livro a luta é imoral e que ......


Sobre o enredo

A luta foi publicada postumamente em 1911, e se trata do conflito de uma das personagens que é Celina, filha de uma suposta viúva. D. Adozinda, porque no livro há um mistério sobre essa viuvez, que pode ser que ela seja divorciada, o que era um tabu na época, ela é dona de uma pensão onde vivem muitos homens solteiros o que também não e bem visto pela sociedade.

Além disso D. Adozinda é uma mulher sedutora e sensual, Celina tem duas irmãs Olga e Julieta, que são descritas como duas coquetes. Alfredo, um estudante vai passar uns dias com a mãe na pensão, se apaixona por Celina, mas a mãe D. Margarida uma beata, é contra o casamento, mas mesmo assim acaba cedendo ao desejo do filho e o casamento acontece, mas o casamento torna uma decepção, logo no primeiro dia de casamento na descrição da lua de mel dos dois, Alfredo se mostra se mostrar um homem sem opinião, dominado pela mãe,  Celina se vê presa nesse casamento, sem luxos, presa dentro de uma casa triste e tendo que cuidar dos filhos e sem amor, e tudo piora quando surge Gilberto um ex - namorado de Celina que agora está rico e começa a flertar com sua irmã Olga.

 

 

A luta mostra a luta interna de cada personagem, Alfredo que precisa reconquistar sua esposa, D. Margarida que tem que ceder para não perder o filho, Celina que tem uma decisão pra tomar entre ser casada e ser livre, D. Adozinda que vê nas filhas uma maneira de se sustentar. A principal luta mostrada no livro é o confronto entre D. Adozinda e D. Margarida, que representando o embate entre a mudança e a tradição, dois núcleos familiares que representam valores, princípios e expectativas, vistos como opostos.  

E esse embate se dá entre duas mulheres, maduras com interesses distintos e o poder de decisão, a decisão está nas mãos das mulheres, são elas que precisam escolher qual caminho seguir, o novo ou o velho.   

 

O livro também fala sobre o poder de escolha que as mulheres tinham a época, muitas não tinham como escolher pois não tinham estudo e nem oportunidades para poder sair daquele lugar, as oportunidades eram poucas e as criticas eram muitas. 

 

 

 

QUINCAS BORBA/ MACHADO DE ASSIS

QUINCAS BORBA 

            Machado de Assis

 


 Machado de Assis um dos mais conhecidos escritores brasileiros, nasceu no Rio de Janeiro em 1839 e falece em 1908.

Quincas Borba, foi escrito em 1891, livro que faz parte da fase realista de Machado de Assis, onde Machado tem uma visão mais crítica e psicológica sobre a sociedade e os personagens.

O livro se passa em Barbacena (MG) e no Flamengo (RJ). O personagem central é Rubião, amigo íntimo de Quincas Borba e seu cachorro que tem o mesmo nome do dono, Quincas Borba.

O narrador onisciente, também chamado de onipresente, é um tipo de narrador que conhece toda a história e os detalhes da trama. Além disso, ele tem conhecimento sobre seus personagens, desde sentimentos, emoções e pensamentos é o narrador que nos conduz através da história e nos mostra o caráter de cada personagem.

Dividido em 201 capítulos, curtos, é um romance com análise psicológica, que apresenta crítica social, e como não poderia faltar, contém ironia. O livro narra a ascensão social de Rubião após receber a herança do filósofo “Quincas Borba”, seu único amigo e criador da filosofia do Humanitismo. 




O que é a filosofia do humanitismo? 

É a teoria de que os fortes prevalecem aos mais fracos, e a vida é uma constante luta, teoria criada por Quincas borba.

SOBRE O LIVRO

Após a morte de Quincas Borba, Rubião se torna herdeiro do amigo que vem acompanhada do melhor amigo de Quincas Borba, seu cachorro, que recebeu o mesmo nome que o dono, Quincas Borba. O único requisito para Rubião receber essa herança é cuidar do cão, que vai ser seu único amigo de verdade durante todo o livro.

Após receber a herança, Rubião resolve se mudar para o Rio de Janeiro, durante a viagem de trem até o Rio de Janeiro, ele conhece o casal Sofia e Cristiano Palha, personagens interessados apenas na herança do rapaz, que de tão feliz que está por receber a herança já vai logo contando seus planos ao casal, que vê nele uma grande oportunidade de melhorar de vida e sair das dívidas.

Durante sua estadia no Rio de Janeiro, ele faz muitos amigos, a maioria interessada em seu dinheiro. Logo após chegar ao Rio de Janeiro se apaixona por Sofia que se torna uma obsessão e uma paixão não correspondida.

O livro narra as desventuras de Rubião que enlouquece gradualmente, e por ser um livro com análise psicológica, é possível acompanhar a loucura e a decadência do personagem, observando diretamente seus pensamentos é como se estivessemos dentro da sua cabeça.

Através do narrador observamos as entrigas ao seu redor de Rubião, o desinteresse por ele a medida que seu dinheiro vai acabando e sua saúde mental vai se agravando e ele se torna um incomodo para todos e é deixado de lado, o unico fiel a ele até o fim é Quincas Borba o cachorro. 

Rubião volta a Barbacena doente e sem dinheiro, onde passa seus ultimos dias. 

terça-feira, 23 de julho de 2024

O livro do travesseiro/ Shei Shonagen - O livro mais antigo do Japão


 O livro do travesseiro

 O livro mais antigo do Japão

SEI SHONAGON



O livro do travesseiro é uma das obras mais representativas da literatura japonesa, juntamente com o livro Genji Monogatari da escritora Murasaki Shikibu, são datados do mesmo período.

O livro do travesseiro foi redigido entre 994 e 1001 pela dama de companhia Sei shonagon enquanto servia a consorte Imperial Teishi, na corte do Imperador Ichijô, o livro se trata de   relatos da vida cotidiana na corte Japonesa, no período Heian (794 a 1192) na atual kyoto

A obra descreve o cotidiano da ala feminina na corte, o relacionamento entre os nobres, seus costumes, emoções, festividades, fala também sobre as estações do ano, flores e montanhas, etiqueta e vestimentas usadas no período, tudo com muita sutileza e poesia, são 300 páginas com textos relativamente curtos alguns ocupam duas páginas, outros uma única linha.

 Ela teria começado a escrever sobre seus dias na corte após a Imperatriz receber algumas folhas de presente do Imperdor e sem saber o que fazer com elas pergunta a Sei Shonagon o que escrever ali e ela propõem a ideia de escrever um “travesseiro”, não existe um consenso entre os pesquisadores sobre a origem desse nome, existem várias teorias, a primeira delas diz respeito a palavra makura kotoba “palavra makura”,  ou utamakura “travesseiro de poema”, as duas palavras se referem a composição de poesia, que é diferente do significado atual, “livro de cabeceira”, pois a leitura das damas na corte era uma atividade conjunta, diurna, publica e aliada à apreciação e crítica  da caligrafia e outras artes.

SOBRE A AUTORA



Quem foi Sei Shonagon, não há muito registros sobre sua vida, por exemplo sua data de nascimento é incerta calcula-se que tenha nascido no ano  966 ,  não há registros do seu nome de nascimento, assim como não há registro do nome de sua mãe, o que era  comum na época, pois mulheres não tinham seus nomes em documentos de nascimento, Sei Shonagon foi o nome dado a ela ao ingressar  na corte.

 Sei primeiro ideograma do seu sobrenome, que era  Kiyohara 清原 que também se lê Kiyo, e Shônagon少納言 que significa Baixo- Conselheiro, cargo ocupado pelo seu pai ou por um de seus maridos. Sei Shônagon se casou pela primeira vez aos 16 anos se separou um ano depois e teve um filho e se casou novamente aos 26 anos e desse relacionamento teve uma filha que se tornaria uma poetisa de certo destaque em seu período.

Ela descendia de uma família de poetas, seu pai e seu avó paterno foram escritores de grande destaque na corte, pode-se afirmar que Sei Shonagon recebeu orientações literárias desde a mais tenra idade. Sua boa educação e conhecimento facilitaram com que ela fosse nomeada dama de companhia da Imperatriz Teishi, cargo do qual ela tanto almejava. 

Após a morte da Imperatriz no ano 1000 ela foi desliga da corte e não se sabe o seu paradeiro, há teorias de que ela tenha ido para um templo budista onde viveu até o final dos seus dias.

Após o período Heian chegar ao fim, vários séculos de guerras internas interromperam a produção literária feminina, que só voltou a existir no final do século XIX.  

Assim, a obra original de  Sei Shônagon não sobreviveu ao nossos dias, mas a leitura do livro do travesseiro é possível pela existência de quatro cópias conhecidas, entre elas é possível notar algumas diferenças.

Sobre o livro.

As copias são Maedakebon, Sakaibon, Sankanbon e Nôinbon, o exemplar Maedakebon, assim chamado por pertencer a familia Maeda, é considerada a cópia mais antiga que remonta do período Kamakura 1192-1333, composta por quatro volumes que encontrasse atualmente na biblioteca Sonkyôkaku em Toquio.

A cópia Sakaibon, de dois volumes segundo consta uma copia completa se encontra no acervo do pesquisador Takano Tatsuyuki e uma outra na biblioteca da Universidade de Taihoku.

A cópia Sankaibon, nesse exemplar, cujo significado é "três volumes"  existem algumas diferenças em seus textos,o primeiro exemplar faltam - lhe os 75 textos iniciais, um segundo tipo do mesmo sankaibon encontra-se completo quanto ao texto, mas nota-se a interferencia do copista nos textos, esses exemplares estão na cidade de Kyoto.  

E uma ultima cópia chamada-se Nôinbon, por ter sido encontrada no acervo do renomado poeta e monge Nôin, apesar da dificuldade de se encontrar uma copia confíavel, essa é a que mais merece atenção, pelo fato de ter sido encontrada nesse  nesse acervo, hoje ela se enconta na Universidade Gakushûin, em Tokyo.

O Livro do Travesseiro também traz informações sobre os cargos existem na corte, um calendario do período Heian que era diferente do usado atualmente e muitas outras curiosidades, vale muito a pena ler.   

  


terça-feira, 16 de julho de 2024

O que eu falo quando falo de corrida/ Haruki Murakami

 O QUE EU FALO QUANDO FALO DE CORRIDA.

HARUKI MURAKAMI




Hoje eu vim aqui falar sobre um autor japonês o qual foi meu primeiro contato e que eu estou encantada com a escrita dele, uma escrita fluida e sem enrolação e além de tudo com muito humor, esse foi meu primeiro contato com o autor e eu gostei muito da obra mas sei que outros livros dele são bem diferentes até algumas pessoas não gostam muito dele porque ele tem um tipo de escrita comparada com o realismo mágico, mas o próprio autor se rotula como ficção surrealista, além disso algumas obras possuem, melancolia e fatalismo, mas em   O que eu falo quando eu falo de corrida nos não vamos encontrar nenhum desses fatores, pois essa é um obra de não ficção, onde ele conta sua experiencia como corredor e escritor.


SOBRE O AUTOR.


Murakami nasceu no Japão em 1949, em Kyoto, seu pai era sacerdote budista e a mãe filha de um comerciante de Osaka, estudou na universidade de Waseda em Tóquio se dedicando principalmente as artes teatrais, um pouco antes de concluir a universidade abriu um bar de Jazz, no centro de Toquio que se chamava Peter Cat., onde se manteve durante oito anos, ele escreveu seu primeiro romance em 1978.


Assistindo a uma partida de basebol ele teve uma ideia: “ E se eu escrevesse um romance.” E três meses depois seu primeiro livro estava sendo publicado, com o titulo "Ouça o vento cantar.", ele ainda escreveu mais um romance enquanto geria o bar de Jazz, mas foi em 1981 que ele resolveu se dedicar completamente a escrita, mas onde entra a corrida aí? Após ele se tornar escritor, começou a passar muito tempo sentado e engordou, sem contar o vício do cigarro, ele fumava sessenta cigarros por dia, mas se ele quisesse ter uma vida longa, ele tinha 33 anos na época, como escritor precisaria se cuidar, e devido a facilidade que a corrida proporciona, você só precisa de um tênis e uma rua ele começou a correr, e como tudo que Murakami se propõem a fazer ele faz com excelencia e dedicação, ele correu todos os dias durante 20 anos.

Em 1991 Murakami se muda para os Estados Unidos para exercer o cargo como docente na Universidade de Princeton, morou por varios anos em outros paises mas atualmente mora em Tóquio.


SOBRE O LIVRO.

O livro começa em uma corrida, fora do Japão, no Havaí especificamente e dai em diante ele vai narrando todos os lugares que já correu, todas as dificuldades que já enfrentou e todos os prazeres de ser corredor e vai intercalando com a experiencia de ser escritor, fala sobre  sua mudança da corrida para o triatlo, todas as dificuldades e o motivo por tras dessa mudança, o mais interessante do livro é a descrição que ele faz de uma ultramaratona, para quem não sabe, eu também não sabia, consiste em uma corrida de 100 km, que acontece todos os anos em Hokkaido, em torno do lago Saroma, ele conta do impacto dessa corrida na vida dele e também descreve as dificuldades que a idade trouxeram para ele durante as corridas, mesmo com toda dedicação o desempenho não é mais o mesmo, mesmo assim ele corre uma maratona todos os anos, em 2006 devido a uma gripe ele não pode correr a maratona essa seria a vigésima sexta maratona.

Ele também descreve sua experiência correndo o percurso na Grècia até a cidade de Maratona, sozinho, apenas contando com sua experiência de corredor e seus pensamentos e um fotografo que ficou ao seu lado durante todo o percuso. 

Ele também fala sobre ser escritor o prazer que isso traz na vida dele, ele escreve com muito bom humor trechos por exemplo em que ele estava correndo a ultramaratona e não conseguia mais controlar seu corpo, são passagens que apesar da dificuldade é vista com bom humor e isso eu achei incrível, saber lidar com a dor, ela esta ali e eu preciso resolver isso, sem desistir. 

No livro ele também conta sobre o nome do livro que foi tirado  de uma coletanea de contos do escritor Raymond Carver, What We Talk About When We Talk About Love,  esse livro levou 10 anos para ser escrito.

Do que eu falo quando falo de corrida, é uma ótima porta de entrada para os livros do Murakami, e aguardem mais Haruki Murakami por aqui.




quinta-feira, 11 de julho de 2024

Livro Passáro Tonto - Julia Lopes de Almeida/ Literatura Brasileira.

 PÁSSARO TONTO

Julia Lopes de Almeida

Edição que eu li

Pássaro tonto foi um dos últimos romances escritos por Julia Lopes de Almeida, publicado postumamente o livro recebeu grande atenção do público. A obra, ambientada em um período politicamente tumultuado da história brasileira, foi um período de muita tensão no país, onde pessoas eram perseguidas, várias revoltas por todo país, exigindo reformas políticas.

 

Pessoas foram perseguidas e mortas, foi o período de grandes mudanças na politica chamada café com leite, onde o  poder politico se encontrava em alternancia, entre São Paulo (café) e leite ( minas gerais), assim todas essas  revoltas começaram a afetar o preço do café, e criando uma crise economica no país, entretanto quem podia e tinha dinheiro encontraram novos lugares para viver até que tudo se acalmasse no Brasil.

 

Havia um lugar onde tudo estava em efervecência, desde as novidades da moda, cultura, liberdade de pensamentos, tudo isso acontecia na França, que ficou conhecido como os loucos anos 20, a revolução Russa também tinha acabado de acontecer, muitos russos também fugiram do país e foram para a europa, o mundo estava mudando completamente, e é para esse lugar totalmente novo que nossa personagem Lalita e sua familia, vão passar uma temporada, a famosa capital européia, onde a jovem busca a liberdade e a quebra de paradigmas, típicas das jovens de sua geração.
           

 Eulalia, apelidada carinhosamente como Lalita viaja com os pais para a Paris,  o pai o banqueiro Jaime Negrão a mãe Maria Antonia e a governanta D. Marcia, a mãe desembarca em Paris , mas vai passar um tempo em uma clínica na Suíça para melhorar sua saúde que não anda bem e Jaime Negrão resolve viajar pelo oriente, deixando assim  Lalita sozinha com a governanta e outros empregados que vão se encarregar da estadia da menina na capital enquanto os pais não estão presentes, Lalita tem um irmão Armando que fica no Brasil para lutar a favor dos revoltosos.

           

 Sobre o que se trata o livro?


Lalita , uma adolescente, então se vê sozinha,  sem os pais para controlá-la, sem a sociedade onde estava inserida para julgá-la, sem suas amizades, rodeada de luxo e com tantas novidades, suas ideias e comportamentos começam a mudar. Deixa os estudos, aas aulas de musica para ir as compras com frequencia, conhecer pessoas novas e atrações um tanto quanto inadequadas para uma adolescente, como os famosos cabarés.   

 A menina mimada e egoista não mede esforços para se divertir, e curtir cada instante naquele lugar,  mesmo que isso traga algumas conscequências desagradaveis para ela, a governanta D. Marcia, tenta de tudo para impedi-la mas sempre sem successo.

Apesar de toda essas mudanças Lalita se apaixonando a cada minuto por homens diferentes, e sendo enganada varias vezes, apesar de tudo ela e muito ingênua, como o próprio nome do livro diz, um pássaro tonto, não sabendo que direção tomar.

Minha Impressões


Julia Lopes de Almeida quer nos dizer também que os tempos estão mudando, há outras formas de pensamento e as pessoas estão mais livres, não podemos esquecer que estamos em 1930, ser livre ainda era uma novidade, esppecialmente entre as mulheres, mas apesar disso os filhos, principamente as filhas, precisam de uma orientação, precisam de alguém para indicar um caminho, a liberdade mal usada pode trazer grandes consequências, tanto boas, quanto ruins, essa é tecla que Julia sempre bate nos livros dela, a educação dos filhos, a responsabilidade de uma boa educação vem principalmente dos pais, um assunto recorrente em sua obra.

O livro também fala dos costumes parisienses, fala de russos que estão por toda Paris, fugidos da revolução Russa e fala também sobre os americanos e a nova mulher baseada na liberdade das americanas e seu jeito de se vestir, tão moderno e libertador para a época.
         

Julia Lopes de Almeida também quer mostrar que está surgindo uma nova mulher, que quer ser livre, quer ser dona de si, mas não sabe como, não foi educada para isso, apesar de toda a liberdade que a mulher estava conquistando ela não sabia lidar com essa situação, elas não tinham preparo para serem diferentes, a personagem por exemplo, quer conhecer pessoas novas, quer se divertir a todo momento, mas não tira da cabeça a ideia de um casamento, ela quer se casar a todo custo, é quase uma obseção, mostrando assim que os velhos costumes ainda estavam enraizados na sociedade em que ela vivia, e na sua mente, uma jovem precisava se casar para ser bem vista, para poder viver bem, para poder ter um sustento, ela não foi educada para ser livre, ter sua própria opinião e seu próprio sustento, era uma novidade que precisava ser aprimorada, uma nova mulher estava surgindo, mas precisava aprender a ser essa mulher, muita coisa ainda precisava ser mudada e aprendida para haver um equilibrio, para que a mudança fosse usada a seu favor.

 Como sempre Julia traz em seus livros a idéia de uma mulher independente e educada, de forma sutil e inteligente, sem exageros.  Vale muito a pena ler e observar o que acontecia nesse época através dos olhos de uma mulher, que com certeza esteve em Paris quando tudo isso estava acontecendo, pela riqueza de detalhes e descrições de lugares e pessoas, sem sombra de duvidas é uma obra para todos lerem e apreciarem.           

Julia Lopes de Almeida



livro Ânsia Eterna- Julia Lopes de Almeida/ Literatura Brasileira.

 


 

 Ânsia Eterna

livro de contos 

Julia Lopes de Almeida

Edição em que eu li 



Vim aqui para falar sobre Julia Lopes de Almeida e o seu livro de contos Ânsia Eterna.Vou começar falando um pouco sobre a escritora Julia Lopees de Almeida que teve um papel muito importante no ambiente literário em sua época e que desapareceu do meio literário brasileiro, suas obras foram esquecidas por décadas, mas ultimamente vem sendo redescoberta e eu vim aqui fazer minha parte, pois o Brasil perde muito em não conhecer Julia

 

Quem foi Julia Lopes de almeida? 

Julia Lopes de Almeida

           

 Ela  nasceu em 24 de setembro de 1862, no Rio de Janeiro, e faleceu em 30 de maio de 1934, filha de um médico e de uma professora, ambos vindo de Portugal para se estabelecer no Brasil, ela cresceu em uma família com grande interesse pelas artes, cultura e política da época, seus pais foram os fundadores do Colégio Anchieta, no Rio de Janeiro, e que algum tempo depois foi vendido para os Jesuitas e que existe até hoje.

Julia quando era criança se muda com os pais para Campinas e por incentivo do pai, publica seu primeiro artigo na Gazeta de Campinas, aos 19 anos, a partir dai não parou mais de escrever, escreveu para um importantte jornal carioca, chamado O país,  durante trinta anos, além de escrever para jornais fora do Brasil, é uma mulher que ganha seu sustento através da sua escrita, uma coisa impensável para a época, hoje em dia escritores encontram dificuldades para viver de suas obras, imagine  naquela época, a dificuldade que era ainda maior sendo mulher, em um período onde as mulheres não tinha nem o direito ao estudo.

Ela foi casada com um poeta chamado Filinto de Almeida em 1887, tiveram seis filhos, mas isso nunca impediu que ela escrevesse, com certeza o fato de ser de uma familia com recursos financeiros ajudava muito, mas além disso ela também tinha talento para escrita, pois sem isso não teria escrito durante tanto tempo, e publicado tanta coisa. 

             Ela é reconhecida como uma das primeiras escritoras feministas do Brasil e teve uma carreira literária muito extensa escreveu, romances, contos, crônicas, livros infantis e peças de teatro,  onde ela abordava variados temas desde a condição feminina até questões sociais e políticas e apesar de tudo isso, de ter sido essa mulher incrível e talentosa, muito pouco se tem estudos sobre ela, é muito difícil ter acesso sobre estudos dedicados a ela no meio universitário, ela era amiga pessoal de Olavo Bilac e contemporânea de Machado de Assis, alias ela foi uma das que colaboraram para a formação Academia Brasileira de Letras, mas dizem as más línguas que Machado de Assis não aceitou Julia como membro da ordem, pelo simples fato de ser mulher, porque na Academia Francesa de Letras, que era o formato escolhido para a Academia Brasileira, não haviam mulheres, e por isso Julia não teve  a sua cadeira na academia. 

Só em 1977, Rachel de Queiroz foi eleita a primeira mulher na Academia Brasileira de Letras, por algum motivo Machado e Olavo Bilac tiveram sua glória até os dias atuais e Julia entrou para o esquecimento, uma escritora tão incrível quanto Machado de assis, nós leitores é quem perdemos por não conhecer uma escritora tão incrível como ela.


 Como é a Julia contista?


É muito diferente de tudo que já li de autora, aqui ela mostra um outro lado da autora, o livro foi publicado em 1903, são 30 contos na minha opinião todos eles muito impactantes, são contos pesados, com finais inesperados, se prepare para sentir um certo desconforto, ela fala de realidades, como: abuso, pobreza, fome, morte em  todos os contos, a realidade do que acontecia na época, nua e crua.

 A Julia contista é muito diferente da Julia dos livros de romance, aqui ela fala o que realmente ela queria dizer, os temas principais são a desigualdade, a condição da mulher na sociedade, na maioria dos livros que ela escreveu esse tema é abordado, mas de forma sutil, talvez porque as pessoas daquela época não estavam preparadas para ler sobre esse assunto e de forma tão dura como ela descreve no contos.

               Indico fortemente a leitura dos contos e espero que você goste tanto quanto eu gostei, e até o proximo. 


 

Julia Lopes de Almeida e Filinto de Almeida

  

A MÃE DA SUA MÃE DA SUA MÃE E SUAS FILHAS / MARIA JOSÉ SILVEIRA

  A mãe da sua mãe e suas filhas Maria José Silveira   É uma obra da escritora brasileira Maria José Silveira nascida no dia 17 de julho d...